Não posso perder aula

Nas minhas primeiras semanas na faculdade, estávamos a alguns dias do início do Carnaval.

Em uma quarta-feira, ocorreu uma emergência no trabalho, e este alarme soou às 16:00. Eu reuni o grupo que iria ao cliente fazer o atendimento, mencionando que eu não poderia ir. Eu tenho faculdade, e eu vou, ora.

Fui então para a faculdade, sempre me comunicando com o time via SMS (não uso smartphone ou afins. Aliás, se pudesse, não usava telefone celular). Assisti uma aula, e saí para o intervalo.

Nisto, surpresa.

A frente da faculdade estava tomada de pessoas. A maior balada ao ar livre que já existiu. Não era possível sair, e logo percebi não era mais possível entrar. Apocalipse. Multidão, burburinho, caos. O que estava acontecendo? Não conseguia ver a rua, mas vi que tinhas algumas coisas coloridas e brilhantes no meio dela.

Nisto, o telefone do trabalho tocou. Estavam me reportando a situação de lá, e solicitando instruções. De repente, a conversa pelo celular foi cortada por um barulho completamente ensurdecedor:

– (som agudo de apito) PRI… PRI PRI PRI PRI
– (grande som de muitos tambores) BUM BUM… BUBU BUM BUM
– PRI PRI PRI
– BUM BUM
– PRI
– BUM
– PRI PRI PRI
– BUM BUM BUM

E aí o batuque e apitos começaram de vez, de uma forma que eu não consigo descrever. Passistas e percursores encheram a frente da faculdade, de forma que o tumulto fosse fisicamente irresistível, pois não se podia sair do lugar em que eu estava, uma vez em que este fora atingido.

Nisto, meu interlocutor me pergunta desconfiado, se eu estava muito ocupado. Eu respondi que não, estava tranquilo (claro), e que ele podia falar.

Cada tentativa de diálogo que eu tive no celular me envergonhou mais ainda com novas combinações de apitos e tambores. Obviamente, eu teria ido para a farra (e farra das grandes), e deixei minha dedicada equipe trabalhando.

Depois de cerca de 20 minutos, a comitiva passou o local, e foi esquecida pelos transeuntes. Já minha farra da quarta-feira, não foi esquecida pela equipe, até o presente momento.

4 comments

  1. Bom dia Portilho!

    Eu trabalho em uma instituição de ensino e na quinta antes do carnaval teve exatamente a mesma coisa.

    Essa coisa de “não sei o que você tem para fazer, mas o meu é mais importante” é realmente muito irritante… Já tive péssimas experiências com isso.

    Uma coisa que me chamou a atenção foi a parte da farra não ter sido esquecida pela equipe, realmente eles acharam que você estava em um baile de carnaval?

    Abraços.

    1. Ainda bem que aconteceu com você também, Igor!
      Olha, pela cara deles, eles não acreditaram que eu estava em uma sala de aula não, a não ser que fosse de uma escola de samba.

        1. Haha, e olha que era a bateria de Medicina! Imagine se fosse a de Educação Física.

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