(agora sim) na Faculdade

Eu já tinha visto a lista das matérias do semestre no Portal do Aluno da Faculdade. Algumas parecem legais, outras desnecessárias para um DBA (mas talvez não para um desenvolvedor). Mas enfim, é melhor mais do que menos.

Pelo que entendi da lista de matérias, vamos sair de lá sabendo fazer SELECT. E só, acho que sem saber instalar nem o MySQL. Mas vamos lá.

Segunda-feira
Cheguei até que entusiasmado no primeiro dia. Passou rápido.

Logo na entrada da faculdade, procurei qual seria minha sala (meu Deus, a fila da Secretaria é maior a cada a dia), e rapidamente a encontrei. O professor explicou, além da matéria, o sistema de notas e afins da instituição, que aliás possui um suporte online ao aluno muito legal mesmo.

Terça-feira
Mas no segundo dia, subi para a mesma sala de aula do dia anterior, e adivinhem: estava vazia. Desci (era no 3o andar) para o local onde estavam as listagens do dia anterior, e vejam só, a classe da minha turma tinha mudado, do prédio “N”, para o prédio “Q”.

Saí então em busca do tal prédio Q. Encontrei o A, o B o C, o D, mas aí acabaram-se os prédios da faculdade! Perguntei então a um segurança (tem vários deles espalhados pelo campus) onde ficava o tal edifício, e este foi o diálogo:
– Por favor, onde fica o prédio Q?
– O que?
– Sim, o Q.
– Desculpe, o que?
– O prédio Q.
– Ah, o Q. Ih, tá longe, viu.

Pô, pensei eu, como assim está longe? Mas o cidadão já emendou:

– Você sai da catraca, segue por essa rua, vira pra aquela, vai até a altura mais ou menos no número X, e é lá.

Fui eu então seguir o caminho indicado, me sentindo em uma sequência do Senhor dos Anéis. No meio do caminho, tal era a escuridão e solidão enfrentada, que eu voltei, covardemente. Fui então a outra entrada da faculdade, que tinha outros seguranças, e estes me confirmaram: sim, era por ali mesmo.

Continuei intrépido em minha jornada, até encontrar o prédio com o número esperado. E em um canto, a letra em alto relevo que não me deixava dúvidas: “Q”. Mas mesmo assim, era um prédio estranho, pois parecia um galpão, um depósito. Apenas uma fresta na enorme porta metálica de correr emitia alguma luz. Fui até ela, estiquei a cabeça par dentro, e vi que no interior do prédio havia catracas, como no prédio principal da faculdade. Passei pela imponente porta, e um pouco trêmulo, usei meu cartão nas solitárias catracas. Funcionou! Eu podia entrar!

Segui então as indicações obtidas no prédio principal, e reparei que tratava-se de uma sala no quarto andar.
Passei por uma triste (e também solitária) lanchonete no térreo, muito diferente da praça de alimentação no prédio principal, e por indicação de um faxineiro, encontrei o elevador, depois de errar duas vezes o caminho. A atendente da lanchonete e o faxineiro foram as únicas almas que encontrei no térreo. Vi dezenas de salas de aula vazias como túmulos. Por que então eu deveria ter aula na última sala do último andar? Um calafrio percorreu minha espinha. Talvez esta fosse a provação que os DBAs teriam que enfrentar.

O elevador tinha a clara indicação (e o tamanho) de existir para atender apenas portadores de necessidades especiais (aparentemente, se você tem pernas, pode subir e descer 4 andares tranquilamente, várias vezes, mesmo depois de trabalhar o dia todo).

Ao chegar ao quarto andar, fui até a última sala, e vi que no caminho, estavam realmente todas vazias. Aí me dei conta que este podia ser um trote. Antes fosse.

Chegando à sala, reparei que alguns alunos que eu tinha visto na sala no dia anterior estavam lá. Bom sinal, se eu caí em alguma armadilha, eu não era o único idiota.

Mas depois de 50 minutos aguardando com os outros alunos, nada aconteceu. Nada. Nenhum professor, nenhuma aula. Aliás, nenhuma outra alma parecia estar no andar, nem no prédio, e nem sequer ouvíamos algum ruído fora os nossos.

Entre revoltado e temeroso, saí da sala, e fui à procura da coordenação do curso, no prédio principal. Aquilo tinha que ter uma explicação! Como nos colocaram para ter aula em um local tão isolado, tão ignóbil?

Chegando na coordenação desisti assim que vi a fila. Aparentemente, a maioria do pessoal estava ali para reclamar alguma coisa de alguma nota no semestre anterior, e ouvi falar de MEC e processos. Enfim, fui para casa, e voltei no dia seguinte.

Quinta-feira
No dia seguinte, fui para o tal prédio Q na sala isolada, e estava escrito na lousa: “Alunos, vão para o prédio X, Sala N”. Caramba, qual a dificuldade de colocar pessoas em uma sala? Pelo menos, essa sala era no prédio principal.

Cheguei atrasado, assisti a aula, que não ainda não tinha passado da fase de explicar como são as aulas, avaliações, etc. No final da aula, o professor pergunta “Todos aqui são de Redes, né?”.

Na Coordenação, estava a indicação de uma nova sala para minha turma. Fui lá, e dessa vez a primeira coisa que fiz foi procurar meu nome na lista de alunos. Ufa, estava lá, lágrimas de emoção. Mas a sala era um pouco estranha… com desenho de flores, borboletas e afins mas paredes. Entendi que aquela sala era utilizada pelo 2o ano primário durante o dia. Isso explicava as cadeiras menores do que o usual.

Então, já no 4o dia de aula, o que estava sendo falado pelo professor? Sistema de avaliação, programação das aulas, etc. Tudo aquilo que metade dos alunos vai ter dúvida quando chegar a hora.

Durante as explicações, na hora em que uma aluna disse “Ai, posso dar uma sugestão a todos?”, eu já sabia que ali estaria uma pessoa insuportável, e portanto, a representante da classe. Dito e feito, ela saiu da mesma aula como a representante da classe.

Quando professor explicou a respeito de um programa que utilizaríamos, um aluno deve ter se considerado o maior hacker da faculdade, pois conseguiu, de forma absolutamente impressionante, encontrar pelo Google o programa indicado, baixá-lo e instalá-lo em seu notebook com Windows 8. Uau. E ainda o disponibilizou via OneDrive/Dropbox para os outros alunos (que aparentemente devem achar muito difícil encontrar e baixar algo sozinhos). Me lembro claramente dele olhando para os colegas indiferentes e dizendo “hehehe, já baixei”.

O professor também explicou sobre algumas documentações que podem ser acessadas, tanto em .DOC quanto em .PDF. Aí um aluno, o futuro dos DBAs do Brasil, levantou a mão, e soltou a pergunta da semana: “O que é PDF?”.

Sexta-feira
Na sexta nem fui. Enfim, essa foi minha primeira semana perdida na faculdade. Vamos ver quantas mais perco.

5 comments

  1. Em Setembro quando eu estiver ai para o curso de Data Guard vamos toma uma em homenagem a essa faculdade!! hehe

  2. Portilho, isso que chamo de via crucis e olha que ainda nem chegou a semana santa.
    Cara é complicado o nível de ensino de muitas faculdades pelo Brasil a fora estâ nivelado muito por baixo , tenho medo que nossa “maravilhosa” presidenta crie algo como os “Mais Médicos ” , já imaginou se a idéia pega e resolvam criar : “Mais DBAs” , “Mais Analistas” ,”Mais Desenvolvedores” entre outros Mais .
    As faculdades estão fazendo o dever de casa direitinho , não se espante caso estrangeiros desembarquem em terras tupiniquins para serem a mão-de-obra tecnológica .

    1. Não creio que este problema seja de alguma forma um problema do poder executivo nacional atual. Trata-se de uma instituição privada, e claramente com problemas de organização.

      Pelo o que eu entendi até agora, parece que se os professores / faculdades elevarem a barra de ensino, mais alunos desistirão da formação, que já é bem alta. De uma turma e 40 alunos, acho que apenas uns 5 terminam o curso.

      Para mim, quanto pior melhor, sobre mais alunos para mim. 😀

  3. Ricardo se dê por feliz com a pergunta: O que é PDF?
    qdo fiz faculdade de Direito, alguns alunos, em prova, escreviam HOMEM, sem o “H” sou seja OMEM, pense na nota que tiraram kkkkkkkkkkkkk

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